DEIXA ESTAR PARA VER COMO É QUE FICA: A LÓGICA DO CONFORMISMO
Mediante a constatação do Secretário
de Educação do Estado de São Paulo, Sr. Herman Voorwald, dada publicamente ao
portal G1 no último dia 11, sobre o fato de a carreira do Magistério não ser
mais atrativa e portanto uma opção desejada pelos jovens brasileiros, sinto-me
no dever de expressar minha opinião sobre o assunto. Primeiramente pelo fato de
ter sido professora da rede pública de ensino do Estado de São Paulo por mais
de 6 anos e conviver constantemente com a falta de profissionais em todos os
níveis educacionais, (especialmente os bem qualificados) mas, sobretudo, pelo
fato de me sentir ofendida pelo fato de os reais motivos que causam tal
desinteresse e até mesmo a desistência da carreira dos que um dia, assim como
eu, fizeram essa opção, não serem explicitados na matéria, mais uma vez encobrindo
a verdade aos olhos das pessoas menos esclarecidas que tem acesso à notícia.
Creio que eu tenha compreendido o
teor da matéria e principalmente o visão do Sr. Secretário, que indiretamente
relacionou o desinteresse da escolha pela profissão pelo fato de os
profissionais da educação terem de, ao passarem em um concurso, obrigatoriamente
freqüentar um curso preparatório antes de atuarem numa sala de aula. E que isso
pudesse estar fazendo os jovens desistirem da profissão docente. Creio que
também não devo ter me equivocado quando compreendi que como solução para o
suposto problema o Sr. Secretário sugira que o curso não seja mais uma exigência
inicial aos aprovados no concurso, mas que ocorra ao longo do cumprimento do
período probatório do profissional.
Pois bem, caso eu esteja correta em
minhas compreensões, e se não estiver, por gentileza comentem esta postagem
para que possamos dialogar e discutir democraticamente opiniões diversas,
afirmo com autoridade e propriedade de que esse não seja o real motivo do
desinteresse dos jovens pela profissão.
Faço essa afirmação sem me utilizar
de nenhuma pesquisa científica sobre o assunto, apenas tendo por base minhas
experiências pessoais aos quais, me fazem constatar que a carreira do
magistério está totalmente desprestigiada tanto no âmbito econômico como no
social e esses sim são os reais motivos pelos quais a profissão deixou de ser
interesse dos jovens brasileiros.
Economicamente falando, o salário de
um profissional da educação, especialmente os de base, é vergonhoso. Para ser
bem direta, o piso salarial de um professor foi fixado, no início desse ano, em
R$1.567,00, para uma jornada de 40 horas semanais conforme publicação divulgada
na rede (http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-01-10/mec-confirma-novo-piso-de-professores-de-r-1567.html).
Caótico e constrangedor para
uma nação que possui um dos maiores PIBs do mundo e que perde em porcentagem de
investimento na educação para diversos países do mundo, tidos como menos
desenvolvidos.
Alguém, porém, pode dizer que o estado
de São Paulo, assim como a grande maioria dos municípios do nosso estado tem um
salário base para os profissionais da educação superior a isso com uma carga
horária relativamente menor (R$1.800,00/32h). Pode ser, mas as pessoas
desconsideram que todo professor comprometido leva para casa trabalho extra –
prepara aula e material, além de ter que se comprometer com a correção das
atividades realizadas pelos alunos – e, convenhamos, 40 horas aí são acrescidas
de uma quantidade considerável de horas trabalhadas sem qualquer remuneração.
Enfim, é definitivamente desprezível
a valorização econômica dada aos professores em todo território nacional,
especialmente os da rede pública de ensino, principalmente se comparada com a
valorização dos nossos representantes e parlamentares, desde o âmbito municipal
até o federal, sem contar as regalias de que estes dispõem.
Quanto ao desprestígio social, e
desse eu também posso falar com propriedade, pois já atuo na profissão por mais
de 12 anos ininterruptamente, presenciando diversas situações que o
caracterizam, tais como agressões físicas, verbais e sociais pelos quais
professores e profissionais da educação estão sendo submetidos constantemente.
A violência acontece e é noticiada
pela mídia freqüentemente, sem que nada seja feito pelas autoridades para
evitar que as ocorências se repitam ou para punir os culpados.
Recentemente uma professora foi morta
por um aluno por não ter aceito sair com ele (http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2013/03/13/aluno-que-matou-professora-no-interior-de-sp-queria-sair-com-vitima.jhtm) e outro apanhou de um aluno por ter-lhe atribuído uma nota
indesejada (http://www.dgabc.com.br/News/9000074781/aluno-bate-em-professora-por-causa-de-nota-baixa.aspx?ref=history), dentre tantos outros e inúmeros
casos divulgados nos últimos tempos pela mídia.
Sem contar a violência verbal sofrida
diariamente dentro da sala de aula. É comum alunos se dirigirem aos
professores, colegas e aos demais funcionários da escola de forma inadequada
com palavreados de baixo calão, ofensivos e ameaçadores, ou então terem seu
pertences furtados ou danificados dentro do espaço escolar.
E o que o poder público faz em relação
a isso? Absolutamente nada. A escola está atada à sua impossibilidade de atuar
e de punir os alunos. As leis de que dispomos em nosso país defendem prioritariamente
aqueles que se esquecem de cumprir minimamente com seus deveres de cidadão. A
instituição escolar pública brasileira infelizmente está fadada ao fracasso e
ao desprestígio mediante cerca de 200 milhões de habitantes.
Quando prestei vestibular no fim do
ano 2000 em uma das mais prestigiadas universidades brasileiras, eram cerca de
18 alunos concorrendo a uma das vagas disponíveis. Atualmente uma vaga do mesmo
curso, na mesma instituição é disputada por cerca de 6 jovens. Pobres
sonhadores! Isso sem contar que desses, boa parcela nunca atuará na área ou
decidirá fazer carreira acadêmica jamais pisando em uma sala de aula.
E quem paga a conta por isso? Toda uma
nação que insiste em fechar os olhos para a corrupção, para o descaso e para o
desinteresse em mudar esse país. Nação que deixa de herança aos filhos deste solo
uma educação de péssima qualidade que valoriza e que disponibiliza uma cultura
que degrada o indivíduo, que acredita que “pior do que está não vai ficar” e
que prefere deixar as coisas como estão para verem como é que vão ficar.
(Por Angélica Galvani Mir - 14/04/2013)
PS: Se você quer ler a matéria inicialmente citada na íntegra acesse: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/04/jovens-nao-querem-mais-magisterio-como-opcao-diz-secretario-em-sp.html
É Angélica, essa é nossa educação!!!
ResponderExcluirInfelizmente nossos governantes não dão a mínima para a educação, esta é a verdade! Não é do interesse dos políticos uma população mias culta e seletiva, afinal, o que ganhariam com isso?!
Infelizmente o que importa aos nossos governantes é dinheiro no bolço, não importa de onde vem e nem tão pouco o que é preciso para consegui-lo, nosso País de povo tão amoroso e alegre(Apesar de tudo), neste ponto deixa muito a desejar.
Como sempre, você foi muito feliz em seus comentários, é de pensamento como os seus que precisamos, parabéns!
Beijo
Rodrigo