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domingo, 24 de março de 2013


PALAVRAS QUE (DES)EDUCAM

Todo mundo que me conhece ou que acompanha meu blog já deve saber que sou professora. Pois bem, atuo na rede pública de ensino na Educação Infantil e nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental.
Há algum tempo, durante minha atuação profissional tenho vivenciado algo muito triste: a criançada, especialmente os maiores fazem uso de vocabulários chulos, de baixo calão nas mais diversas situações e locais e para se dirigir a qualquer pessoa (inclusive na sala de aula, enquanto interagem com colegas e professores).
A situação parece piorar a cada novo ano letivo. Qualquer coisa é motivo para xingar o colega, humilhá-lo, chama-lo por nomes horrendos, com palavreados muitas vezes desconhecidos por mim. Posso inclusive afirmar com propriedade que muitos desses palavreados estão carregados de violência, que muitas vezes traduzem sentimentos enrustidos de homofobia, intolerância com o diferente e discriminação de diversas ordens: social, cultural, racial, étnica, de gênero e por aí adiante.
Mas a questão é, por que as crianças estão assim????
E então eu me remeto às minhas experiências pessoais para refletir sobre o assunto. Palavrão hoje é utilizado por muita gente como a coisa mais normal do mundo. Alguns se defendem que não falam para agredir, ou que é jeito de falar, de se expressar. No entanto, deveríamos ter em mente como isso pode estar educando, ou deseducando nossos pequenos.
Ora, pois, se as crianças veem os adultos com quem convivem falando palavrão nas inúmeras situações do dia-a-dia, que motivo teria ela para não reproduzir o mesmo tipo de atitude?
A diferença é que alguns adultos conseguem distinguir lugares mais ou menos apropriados para deixar escapar uma palavra feia e ofensiva. Crianças, porém, nem sempre tem clareza para tal discernimento e por esse motivo temos a realidade posta, nua e crua, sem saber o que fazer e como agir.
Não se trata, porém de nível social, escolaridade, localidade de moradia. Os xingamentos estão generalizados e, em minha opinião, se trata de valores que se tem ou não. Tenho amigos (as), conhecidos (as) e até parentes que simplesmente optaram por usar 9 palavrões a cada 10 palavras proclamadas.
Não estou dizendo que isso esteja certo, muito menos que esteja  errado, cada um age como melhor lhe aprouver. No entanto me preocupa o que estamos deixando de herança para as próximas gerações. O que desejamos ensinar para nossos filhos e/ou nosso sobrinhos, alunos, enfim, para as crianças que serão os adultos de amanhã.
Para encerrar deixo aqui um questionamento: será que você sendo hoje ou futuramente, pai ou mãe de uma criança, acharia natural vê-lo expressar-se e vê-lo interagir com o outro (inclusive com você mesmo) através de palavrões????  E quem você acha que é o maior responsável por isso????
ACREDITE, suas ações educam muito mais que suas palavras.

(Por Angélica Galvani Mir - 24/03/2013)

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