PALAVRAS QUE (DES)EDUCAM
Todo mundo que me conhece ou que
acompanha meu blog já deve saber que sou professora. Pois bem, atuo na rede
pública de ensino na Educação Infantil e nas Séries Iniciais do Ensino
Fundamental.
Há algum tempo, durante minha
atuação profissional tenho vivenciado algo muito triste: a criançada,
especialmente os maiores fazem uso de vocabulários chulos, de baixo calão nas
mais diversas situações e locais e para se dirigir a qualquer pessoa (inclusive
na sala de aula, enquanto interagem com colegas e professores).
A situação parece piorar a cada
novo ano letivo. Qualquer coisa é motivo para xingar o colega, humilhá-lo,
chama-lo por nomes horrendos, com palavreados muitas vezes desconhecidos por
mim. Posso inclusive afirmar com propriedade que muitos desses palavreados
estão carregados de violência, que muitas vezes traduzem sentimentos enrustidos
de homofobia, intolerância com o diferente e discriminação de diversas ordens:
social, cultural, racial, étnica, de gênero e por aí adiante.
Mas a questão é, por que as
crianças estão assim????
E então eu me remeto às minhas
experiências pessoais para refletir sobre o assunto. Palavrão hoje é utilizado
por muita gente como a coisa mais normal do mundo. Alguns se defendem que não
falam para agredir, ou que é jeito de falar, de se expressar. No entanto,
deveríamos ter em mente como isso pode estar educando, ou deseducando nossos
pequenos.
Ora, pois, se as crianças veem os
adultos com quem convivem falando palavrão nas inúmeras situações do dia-a-dia,
que motivo teria ela para não reproduzir o mesmo tipo de atitude?
A diferença é que alguns adultos
conseguem distinguir lugares mais ou menos apropriados para deixar escapar uma
palavra feia e ofensiva. Crianças, porém, nem sempre tem clareza para tal
discernimento e por esse motivo temos a realidade posta, nua e crua, sem saber
o que fazer e como agir.
Não se trata, porém de nível
social, escolaridade, localidade de moradia. Os xingamentos estão generalizados
e, em minha opinião, se trata de valores que se tem ou não. Tenho amigos (as),
conhecidos (as) e até parentes que simplesmente optaram por usar 9 palavrões a
cada 10 palavras proclamadas.
Não estou dizendo que isso esteja
certo, muito menos que esteja errado,
cada um age como melhor lhe aprouver. No entanto me preocupa o que estamos
deixando de herança para as próximas gerações. O que desejamos ensinar para
nossos filhos e/ou nosso sobrinhos, alunos, enfim, para as crianças que serão
os adultos de amanhã.
Para encerrar deixo aqui um
questionamento: será que você sendo hoje ou futuramente, pai ou mãe de uma
criança, acharia natural vê-lo expressar-se e vê-lo interagir com o outro
(inclusive com você mesmo) através de palavrões???? E quem você acha que é o maior responsável por
isso????
ACREDITE, suas ações educam muito
mais que suas palavras.
(Por Angélica Galvani Mir - 24/03/2013)
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